terça-feira, 14 de junho de 2011

Cartilha dos Limites - Essa é pro Governo

Em uma conversa de internet vejo um vídeo sobre a proposta do MEC e da cartilha sobre homossexualidade.
Deixa eu falar o que eu penso porque isso me revoltou!
O que é que o governo tem a ver com quem as pessoas escolher pra dar ou deixar de dar? Sério mesmo, só falando assim.
O que a escola tem que ensinar é: matemática, português, geografia, ciência e por aí vai. Sabe porque? Porque quando chegar no terceiro ano, ou mais, a galera vai fazer vestibular, e nas questões não vai cair a pergunta: pra quem você dá? Você gosta de homens ou mulheres ou todas as acima? E não é o fato de você ser gay ou hétero, ou qualquer coisa que você queira ser que vai fazer de você uma pessoa melhor ou garantir seu futuro. Sabe o que vai garantir seu futuro?
Educação. De qualidade. Em vez de investir a porcaria do meu dinheiro fazendo cartilha sobre assuntos que não lhe competem, o governo deveria investir em infraestrutura nas salas de aula, em professores, em treinamento de professores, em comida para os alunos, em políticas públicas que baixem os níveis de evasão escolar e em mais tantas outras coisas que eu não poderia nem começar a listar.
E sabe de mais uma coisa? Eu aprendi que roupa suja se lava em casa. Sabe porque? Porque felizmente eu nasci numa família onde meus pais tinham tempo pra mim! Então eles me ensinaram o certo e o errado, e sobre sexualidade. Falavam: não use drogas, por que é errado. E invista em você porque é o certo. Falavam: você é livre para explorar sua sexualidade, com segurança e saiba que isso é uma grande responsabilidade e você precisa pesar as suas decisões e encarar as consequências.
E uma coisa pra mim que é a mais importante. Minha família passava tempo comigo por graças a Deus dava para ter um sustento com um emprego e um salário. No fim do dia e nos fins de semana eu sabia que ia ter la minha família comigo. E as crianças que não tem os pais em casa que tem que ter mil empregos pra sustentá-las? Porque então, já que o governo está tão preocupado com educação sexual, não investe no mercado de trabalho e oferece condições menos precárias para os trabalhadores brasileiros, assim eles passariam mais tempo se dedicando a educação dos filhos, inclusive sexual, e menos tempo, trabalhando pra sustentar um governo corrupto que ainda por cima vai fazer a cabeça dos filhos deles com qualquer mensagem que lhes garantam mais votos! Sinceramente isso me revolta!
Mas sabe de uma coisa também? Foi tudo em seu tempo. Quando EU pedia para saber dessas coisas, e não em uma cartilha que eu teria que ler de maneira obrigatória, completamente não neutra sobre o assunto. Na cartilha não fala que ser homossexual tem um preço, seja biológico ( não ter filhos, por exemplo) ou social (muita gente tem preconceito ainda), também não fala sobre ser hétero e seus pesos (cadê uma explicação para os casamentos que não duram, os namoros que se rompem facilmente, os homens que batem nas mulheres?) A sexualidade é meior que uma cartilha!!! Não tem como se esgotar um assunto nela, nem como veicular uma mensagem por ela sem que esta esteja completamente manipulada e atrelada a somente um ponto de vista.
Eu sempre achei que existia um limite entre o público e o privado. Se eu quero fazer o que eu quiser fazer da minha sexualidade, ninguém tem nada a ver com isso porque eu estou dando o que é meu. E sempre achei que quando nossas ações começam a interferir nos assuntos dos outros, ou causam qualquer tipo de prejuízo alheio, esse era o limite, ente o público e o privado. Me diz uma coisa: TEM ENTÃO COISA MAIS PRECONCEITUOSA DO QUE ESSA CARTILHA? Partindo desse princípio o governo está ensinando o que são ou não são as formas de sexualidade, porque???? Está incomodando em que, as pessoas serem ou não serem gays?
Sabe o que me incomoda, e deveria incomodar o governo? Falta de caráter e honestidade quando se vai administrar a vida pública!
E por favor, deixem a minha sexualidade em paz, e a dos milhões de brasileiros por favor, e tratem de questões que realmente importem e que realmente incomodem.
E nem adianta vir falar de bullying, porque isso também é invenção. Implicância entre crianças sempre existiu, a palavra chave é o limite de novo, entre o público e o privado, quando eu começo a incomodar? Essa é a pergunta que deve ser feita. E advinha? Se o governo não tem essa noção desse limite as crianças é que vão ter? E saiba, todo tipo de gente já foi alvo de chacota, não é só o gay, o negro, o gordo, o baixinho... É o nerd, a BV, a virgem, o mais burrinho, o que não sabe jogar futebol, o que é gago, o que já é careca, a que já beijou mais de um, e por aí vai, inventar-se-á qualquer motivo pra pegar uma pessoa para Cristo.
Resumindo, deixem os brasileiros darem o que é deles, pois francamente isso não me incomoda. O que me incomoda justamente é quando dão o que é meu: MEU dinheiro numa campanha sem sentido como essa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dos bons modos

Lei 22.171,
De 05 de Dezembro de 2010

Institui o código dos bons modos.

Da Presidente de P.N.:
Faço saber que o Congresso do 116 decreta e eu sanciono a seguinte lei:

Livro I
Das pessoas e dos sem noção

Titulo I
Do bom senso aplicado aos bons modos

Capitulo I
Da personalidade e das capacidades

Art.1º Toda pessoa acima de seu peso se encontra proíbida de usar fio dental na praia, fazer top less ou em atos similares constranger a opinião e a vista pública.

Parágrafo único: fica também proíbida a captura de imagens fotográficas ou qualquer recurso visual que registre esses momentos, bem como a feitura de movimentos bruscos.

Art.2º Toda pessoa, de qualquer idade, se encontra proíbida de fazer a dança do "Pipoca pula" por esta ser extremamente ridícula e irritante, sob pena de reclusão de 2 à 6 anos, em uma cela onde passarão somente os programas do Bom dia & Cia. com a Maísa, 24 horas por dia.

Art.3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civilizada:
I - os que são admiradores de funk e o fazem sem fones particulares em coletivos lotados
II - os que possuem fotos de bico em sites de redes sociais
III - os que são feios e fazem books sem noção em lugares sem nexo e sem classe
IV - os que são estranhos de maneira geral

Art.4º São relativamente capazes de exercer os atos da vida civilizada:
I - os que gostam de Wando e similares e de pagode
II - os que usam Nextel no viva-voz
III - os que são excessivamente íntimos e simpáticos sem o aval apropriado

Parágrafo único: a capacidade destes será regulada por uma legislação especial voltada para a reabilitação e dosagem apropriada dos itens expostos.

Art.5º Os bons modos deverão ser completamente aprendidos até os 18 anos, idade a partir da qual então a pessoa se encontra responsável por todos os seus atos de inaproprietude.

Parágrafo único: Serão julgados como maiores de 18 anos qualquer pessoa que for flagrada usando calças de veludo com o umbigo de fora.

Art. 6º A existência da pessoa apropriada termina com a morte, porém essa existência cessará ao se tornar inapropriada para a vida em sociedade sem necessariamente a morte física, porém social, se a pessoa por acaso:
I - falar mais gírias do que palavras em uma frase
II - ixquevê axim im muitax converxas online
III - for do sexo masculino e usar os termos: "eu juro" ou "eu prometo" ou similares em qualquer contexto

Art.7º Pode ser declarada morte presumida, justa e justificável aos que
I - fornecerem o troco de mercadorias compradas em dinheiro com balas
II - os que entrarem no carro e tirarem meleca achando que ninguém verá
III - aos que nao se comprometerem com o devido asseio ao frequentarem espaços públicos, principalmente coletivos
IV - aos que em condições de proprietário de estabelecimento de fornecedores de comida deixarem cabelos em seus produtos e demais coisas não esperadas na refeição pedida.

Art.8º Até que por outra forma se disciplinem serão considerados sem noção todos os que se enquadrarem nos itens dispostos acima.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Parodiando Jorginho

Decidi fazer isso porque francamente.... não conheço nenhuma burguesinha...
Exercício mongol de paródia só pra descontrair a terça feira....

Zuadinha

Vai ralar no emprego
Vai de motorista
Ônibus careiro
Mas tem pose de artista

Ganha pouco dinheiro
Vai pra faculdade
Sem carro maneiro
E ainda é bolsista

Final de semana
Ganha cortesia
Sem muito dinheiro
Mas com alegria
Vai pra balada
Sempre paga mico
Mesa regada
Depois racha a conta com os seus amigos

Zuadinha zuadinha zuadinha
Lava e cozinha
Zuadinha zuadinha zuadinha
Carne moída e abobrinha
Zuadinha zuadinha zuadinha
"Te pago amanhã!"
Zuadinha zuadinha zuadinha
Mas é cheia de fãs....

(Música original: Seu Jorge; Composição: Daniela, 2009 - Burguesinha)

domingo, 25 de julho de 2010

Aventuras em Sorrizópolis

É cedo, muito cedo. Será que dará tempo? Tenho que ser muito rápida. Ao raiar do sol, ja poderá ser tarde demais. Cambaleando e com a vista embaçada sigo para o que posso minimamente chamar de banho. A viagem é longa, o asseio necessário, mas não há tempo... O sol já ameaça no horizonte.

Me visto sem luxo, sem glamour. Não há necessidade. Estou prestes a enfrentar uma longa jornada. Conforto e somente conforto é necessário. Talvez eu nem sobreviva, não posso pensar em moda. Com a bolsa já pronta e a postos como manda a necessidade, saio apreensiva para minha jornada. Apenas mais um dia na minha vida...

Andando nas ruas até então calmas, percebo aos poucos rugidos. Aumentam, chegam mais perto. Tenho que correr para pegar o transporte que me levará ao meu ponto alvo número 1 a tempo. A hora está certa, mas temo pela falta de sincronização. Será que não conseguirei?

No horizonte então desponta, grande e azul, com o código indicativo 38A. Era este o sinal. É este o transporte. Só entrar, mas não é tarefa tão simples.

Devido aos perigos que serão encarados pelo motorista nessa empreitada me cobram. Não vale escambo. Somente dinheiro. Vivo. Cash. Não é barato. Tento negociar, mas minhas tentativas são infrutíferas. Pago o valor e então passo por grades para me acomodar em um assento. Devo correr muito, são poucos os privilegiados que podem desfrutar de uma viagem sentados. Vejo um banco livre. Também o vê uma moça corpulenta e com muitos volumes na mão. Nos olhamos. Entendemos. Tenho que ser rápida. Transformo sua força em fraqueza, me aproveitando de seu tamanho e corro o mais rápido que posso para me acomodar. Sento-me e agradeço ao Senhor, por essa benção na viagem.


A jornada segue monótona. As pessoas não se falam, não se cumprimentam. O desgosto e o sono imperam no ar. E cada vaz mais e mais pessoas entram. Nenhum pode ficar para trás. Chega de repente o ponto final. É aqui que devo descer, mas é aqui que todos descerão também.

Depois de conquistar vales e montanhas é chegada a hora de desbravar os mares. Ao longe ouço o som da minha embarcação. Será que chegarei a tempo? Depois de tão exaustiva viagem não posso fracasar. Não. Não agora. Me apresso, mas dessa vez fui vencida pela moça corpulenta. Seu tamanho obstruiu completamente minha passagem. Me acalmo e com paciência vou andando atrás dela rumo ao meu destino. Corro. Atravesso pistas onde veículos desgovernados se movem em alta velocidade. Arrisco minha vida, mas é preciso.

Com o coração ainda batendo forte no peito, o suor que me escorre pela tez, descanso um pouco na área de embarque. Descanso fugaz. Logo se ouve o apito, abrem-se as cancelas, e feito gado, uma massa de flagelados correm para a barca. Soa mais um apito, tal qual um berrante para os rés. Colocando ordem, e imprimindo uma urgência em seu chamado. Mas dessa vez uma massa de pessoas fica para trás. Olhando desejantes a barca que se vai. Agora só daqui a 20minutos. Olho triunfante para os que ficam.

Dentre pisadas e empurrões consegui um lugar sentada. Um senhor olha furtivamente para meu lugar. Sei que estou numa poltrona de código laranja. Mas essa é a lei da selva. Finjo dormir. Mas que droga! Minha consciência me acorda e cedo meu lugar ao senhor. Meu lugar, meu querido lugar, refúgio momentâneo de uma jornada suada. Mas ajo de maneira nobre. Aproveitando-me de minha nova situação bípede me aproximo das portas de saída.

A barca atraca, ouve-se mais uma vez o berrante, e sai a manada. É melhor correr para não ser pisoteada na debandada. Não posso ajudar o senhor. Coitado, acho que não sobreviverá à tal fúria coletiva. Mas não posso me deixar distrair de meu objetivo. Chego em uma praça. E com a rapidez de uma gazela procuro o abrigo subterrâneo, pelo qual passará um novo meio de transporte para me levar ao ponto alvo número 2, o destino final. Olho ansiosa os veículos que passam, não posso perder de vista o que possui o código chave para o meu destino. O subterrâneo se enche cada vez mais. Mais e mais pessoas perdidas procurando pelos seus veículos e seus códigos. De pronto, vem despontando no fim do túnel um veículo. Será? Não enchergo direito os numeros. 455. É este! Vejo o alvoroço se formando em minha volta. Muitos almejam o mesmo destino. Porém só tem apenas um veículo. E não restam muitas vagas.

Começo um processo de cercamento. Mas não sou a única. Aos poucos se forma um paredão de isolamento, onde uns empurram os outros. Corro o mais rápido que posso em direção à porta do veículo, mas dessa vez não tive sorte. A porta parou longe de mim. Me amontuo e me misturo aos demais. A mulher corpulenta mais uma vez se aproxima, mas já não me preocupo, sei que na velocidade ganharei como das outras vezes. Ela não é páreo. Mas não posso me distrair de meus objetivos com competições egoístas, apesar dela me despertar uma raiva sem sentido. Aglomeração. A essa altura algumas pessoas já não cheiram tão bem, mas não posso me deixar ser vencida por odores fétidos. Logo eu, poderosa desbravadora de mares e montanhas. Já cheguei muito longe. Infelizmente não consigo um lugar sentada. Vou em pé. Uma alma solidária se oferece para carregar minha pesada bolsa. Um sorriso em meus lábios. Talvez a humanidade não esteja perdida. Só talvez. A viagem segue. Sempre monótona como as outras. Ao longe o choro de uma criança. Pobre coitada... No colo de sua mãe no calor, sem direito a se sentar. As crianças pequenas não podem se dar ao luxo de se sentar nesses veículos, e as que o fizeram nunca mais foram vistas, assim dizem os boatos, portanto ninguém se arrisca.

Mesmo em pé, sinto meus olhos se fecharem vagarosamente devido ao cansaço. Me encontro num estado surpreendente de relaxamento em meio a meus pares sofredores. Então desperto com um sobressalto. Coração batendo forte e piscando rápido para enxergar a fonte do vozeirão que se desculpa por incomodar o silêncio de nossa viagem, mas que vem trazendo ali a diversão de nossa viagem e a alegria para as crianças. Em meio a milhares de guloseimas sortidas e coloridas ele explicita as boas características de cada uma. Não posso perder tempo com guloseimas. Estou cada vez mais perto de meu objetivo. Terminada a enconsta desta praia, só me resta passar por mais um túnel. Mas para minha supresa, não é tão fácil assim.

Muitos outros veículos estão querendo passar por este túnel e me vejo apreensiva pela minha saída. Uma moça de cabelo engraçado pixaim molhado vermelho se apressa para a porta. Me pergunto quantos segundos de sua viagem ela ganhou por deixar o cabelo sem esmero, e me pergunto se não deveria fazer o mesmo. Afinal, nessa empreitada o penteado é desnecessário e despercebido. O veículo para e finalmente cheguei aonde queria. Praia Vermelha. Acho que o nome é em homenagem aos que derramaram seu sangue e suor, principalmente suor, nessa jornada. Agora só tenho que me preocupar com a volta.... Mas essa ficará para outro relato dessa nova empreitada, que chamarei "De volta a Terra do Nunca".

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

É culpa da Cinderella

Se eu quero escrever é porque tem alguma coisa que os macacos do meu sótão estão me implorando pra organizar. Vamos então, rumo à ab-reação em um texto um tanto quanto pessoal.
Vi uma foto minha. E como sempre o olhar não se detêm a um simples estímulo respota e vi e pronto. O olhar me traz o enxergar, o ver, o perceber. Aí já viu....
Comecei a pensar então sobre contos de fadas, príncipes e princesas. (Não, não vou explicar a relação da foto com esse pensamento, mas tem tudo a ver). E meio a uma certa melancolia, voltei ao presente me questionando sobre esse tal de felizes para sempre, e mais mil outras coisas nessas histórias infantis.
Decidi começar pelo príncipe. Sujeitinho esquisito esse. A maioria deles usa calças colantes, bota e capinha, isso hoje em dia não se chama príncipe não. E na maioria das vezes sabem o que fazer e sempre aparecem na hora certa... Como eles sabem dessas coisas? E não quero nem comentar que TODOS eles cantam e dançam. Cantar estilo Eddie Vedder é sexy, dançar tipo Justin é sexy, mas cantar e dançar de calças colantes, não... não é legal.
Além da revolta com a figura do príncipe, a que me deixou ainda mais irritada foi a figura da princesa. Ô bicha besta. Ou só sabe lavar-passar-cozinhar e não da nem um forazinho nas irmãs chatas, ou desmaia na hora H em que o esquisitão lá sabe muito bem o que fazer, como fazer e onde estar. Timming perfeito, não?
E desde criança eu assisto essas coisas, e ainda por cima: gosto. A maioria das meninas que hoje são mulheres também gostavam dessas histórias. E me veio o insight: se hoje em dia as mulheres estão insatisfeitas com os relacionamentos da vida real, a culpa é todinha da Cinderella, ou qualquer outra lá com sangue de barata.
Ok, a culpa toda não. Uns 50%, porque os outros 50% dessa culpa aí, elas dividem com o infeliz do narrador. Quando ele fala com aquela voz de magia: "... e viveram felizes para sempre." Que ódio! Até parece! Como assim? Já começa pela própria frase que em si ofende as leis da natureza: "viveram" e "para sempre"... É Branca de Neve ou Highlander, cacete? E como alguém vive feliz sempre? Duvido que a Cinderella não sente falta de lavar um chãozinho às vezes e nem chora com saudade dos ratinhos.
Eu acho é mesmo que o narrador nos faz um bem. Pra não falar das complicações da vida do casal manda um: ah felizes! Sei... Feliz até a Ariel descobrir que mulher que não é peixe tem TPM, e coitado do príncipe dela, que tinha uma sereia do lado, agora tem no mínimo o ser mais perigoso do alto mar e da terra também.
E comecei a pensar nesse negócio de felizes. Mas porque isso? Porque eu tenho que ser feliz pra sempre? As vezes ser ranzinza é tão bom! E ficar P da vida então? Mandar aquele palavrão de efeito pra pessoa perfeita na hora certa? Nossa! É libertador! É de uma ranzinzice tão grande que me faz até sorrir! Ah se eu fosse a Cinderella! Eu que preparo as comidas, no mínimo um laxante no café já teria rolado. Na verdade acho que essa bondade toda e essa felicidade toda me incomoda!
E eu que me considero bem humorada! É que simplesmente isso não faz sentido. Eu só vou ser feliz se eu sei o que é sofrer, só vou saber levantar se eu já tiver caído algum dia. Então porque as pessoas não falam da infelicidade e nem das quedas, já que são elas que nos permitem ser felizes no final das contas? Porque o narrador lá não fala das brigas de casal, das discussões de relações e do "precisamos conversar"? Tudo bem, o nome já diz: Contos de Fadas. É pra ser light mesmo, né? Não ia ser bonito ver a Cinderella dar com o esfregão na cara do príncipe, nem a Bela Adormecida fingindo que está dormindo pra não... enfim....
Mas o que me espanta então na realidade é o porque então que muitas vezes adotamos essa narrativa para nossas vidas... Eu quero um felizes! Óbvio! E quem não quer? Mas não quero um felizes para sempre não. Quero um felizes as vezes. Quero brigas, para poder pensar em meios de reconciliação. Quero desentendimentos, para entrar cada vez mais em sintonia com quem eu amo, quero ciúmes, para não esquecer do desejo que sinto e que sentem por mim, acompanhados do medo de perder, próprio de quem ama, e assim me lembrar do amor que ainda existe. Quero ficar longe, para sentir saudades e valorizar pequenas coisas que a presença do cotidiano subestima. Quero decepções que me lembrem que ninguém é perfeito e que o amor se fortalece nisso: em amar os defeitos. Quero também enjoar um pouco da pessoa, para me lembrar que apesar do companheirismo eu ainda sou eu e posso ser eu livremente. É, acho que o narrador foi muito mais esperto mandando um : felizes para sempre. Simplifica muita coisa, e cá entre nós... os narradores são sempre homens. Nenhum discrédito aqui aos moços: que fique claro que felizes ou não, princesas só existem com príncipes... ou sapos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Epitáfio

Roda gigante? Montanha russa? Comparações meio clichê sobre a vida... A vida não é nenhum parque de diversões não. Basta estar vivo para saber disso. Eu dirira roleta russa.
A vida é arriscar, é um risco a cada momento...
Pegue um revólver, coloque uma bala, gire o tambor. Puxe o gatilho. Grande decisão. Pode ser pensada, repentina, por impulso. Tanto faz o que o levou a puxar o gatilho, mas se tem que apertar não é mesmo? É assim que se brinca de viver e não tem como fugir.
Um clique, sem tiro, ainda há vida. Isso, ainda há vida.
E na tensão de uma decisão a outra, de uma encruzilhada a outra, ainda sim, há vida.
Devemos enxergar além. Entre o puxar de gatilhos, ainda respiramos. Não. Não é pessimismo. Quero celebrar a vida. Celebrar o fato de que existem mil batidas de coração entre cada puxada de gatilho que a vida nos dá. Quero ouvir cada batida atentamente e entender o que elas me dizem. Quero ouvir as batidas do coração de quem também está brincando de viver, e poder segurar a mão daqueles que amo. Poder sintonizar minhas batidas com as deles. E a cada momento que meu coração acelerar, saber que tem um coração que bate devagar para acalmar o meu. E vice versa.
Um dia porém a bala sai. Vontade divina, sorte, azar, destino, pouco importa. Morrer também não significa morte. A morte não brinca de roleta não. Morrer de rir, morrer de chorar, chorar de rir. Sofrer tanto que que da vontade de morrer, amar tanto e sentir que o coração não vai aguentar, dançar tanto e poder falar: dancei até morrer, experimentar a melhor comida do mundo e dizer que: quero comer ate morrrer, testemunhar algo grandioso e dizer: agora eu poderia morrer em paz...
Pequenas perdas, e grandes ganhos. Para cada pequena morte nossa, mil possibilidades de vida. Saber perder um amor, saber esperar por algo melhor. Saber brigar, mas também saber pedir perdão. Saber falar, mas sem perder a humildade. Comprar brigas que valham a pena. Sair de brigas que não sejam pelo crescimento e sim por orgulho. Saber viver. Saber puxar o gatilho com o peito aberto, preparado ou não para o desconhecido, mas com a fé e a autoestima de quem confia em si.
Desculpem a comparação. Mas minha vida não é parque de diversões com algodão doce. Nem uma atração: "para o mundo que eu quero descer...." Acho que, aliás, a de ninguém. Mas não quero nem saber. Estamos vivos, e pouco importa se na hora de puxar o gatilho se a bala vai sair ou não. Quero celebrar cada momento e comemorar a vida que existe.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Calçados e culinária...

E nessa de cozinhar descalça e com apenas uma frigideira, dessas bem mixurucas, decidi mudar...Quero o que todo mundo quer! Quer saber, vamos lá nas Lojas Americanas, onde existem não somente havainas, como também jogo de panelas. Mas essas coisas, não sei porque não deram muito certo pra mim.

Legal, havaianas são a sensação do verão, mas e no inverno dos infernos? Assim q calcei-as pisei numa poça e me ferrei toda, acho que culpo as malditas pela minha gripe. Mas não desisti! Se as havainas fracassaram as panelas haveriam de servir.

Eram várias! Um kit coisa-mais-linda-sonho-de-chefs-e-de-vós-jeitosas ao redor do mundo. E então reparei: opa! meu simples fogãozinho tem só quatro bocas e toda quela pompa, não combinou com a humilde cozinha. O que aconteceu com o sonho de uma simples tampa? Mas ainda sim, tentei, vai que dá certo? Descobri que não pude usar todas as panelas, queimei algumas coisas - eram tantas e que eu nem queria! - e queimei inclusive partes de meu corpo....

Descobri então, numa epifania alimentícia-pedicular que buscava algo que não existia. Descobri que quis além do que eu realmente queria. E nessa de querer cozinhar mesmo assim, descobri receitas maravilhosas com a frigideira. Quanto aos pés: meia neles! "Disseram que no inverno esfriam e esquentam no verão", como deve ser e sem sapatos de couro de cascavel... Não quero nem mais nem menos do que elas me oferecem. E então descobri que essa história de sempre se achar chinelos velhos para pés cansados e de tampas para frigideiras é tipo achar cabelo em ovo. O que importa são as possibilidades reais que sua culinária e sua pedicure lhe dão. E digo a vocês de boca cheia, e com bom calçamento: não passo mais fome e não estou mais descalça...