segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Dos bons modos
De 05 de Dezembro de 2010
Institui o código dos bons modos.
Da Presidente de P.N.:
Faço saber que o Congresso do 116 decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Livro I
Das pessoas e dos sem noção
Titulo I
Do bom senso aplicado aos bons modos
Capitulo I
Da personalidade e das capacidades
Art.1º Toda pessoa acima de seu peso se encontra proíbida de usar fio dental na praia, fazer top less ou em atos similares constranger a opinião e a vista pública.
Parágrafo único: fica também proíbida a captura de imagens fotográficas ou qualquer recurso visual que registre esses momentos, bem como a feitura de movimentos bruscos.
Art.2º Toda pessoa, de qualquer idade, se encontra proíbida de fazer a dança do "Pipoca pula" por esta ser extremamente ridícula e irritante, sob pena de reclusão de 2 à 6 anos, em uma cela onde passarão somente os programas do Bom dia & Cia. com a Maísa, 24 horas por dia.
Art.3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civilizada:
I - os que são admiradores de funk e o fazem sem fones particulares em coletivos lotados
II - os que possuem fotos de bico em sites de redes sociais
III - os que são feios e fazem books sem noção em lugares sem nexo e sem classe
IV - os que são estranhos de maneira geral
Art.4º São relativamente capazes de exercer os atos da vida civilizada:
I - os que gostam de Wando e similares e de pagode
II - os que usam Nextel no viva-voz
III - os que são excessivamente íntimos e simpáticos sem o aval apropriado
Parágrafo único: a capacidade destes será regulada por uma legislação especial voltada para a reabilitação e dosagem apropriada dos itens expostos.
Art.5º Os bons modos deverão ser completamente aprendidos até os 18 anos, idade a partir da qual então a pessoa se encontra responsável por todos os seus atos de inaproprietude.
Parágrafo único: Serão julgados como maiores de 18 anos qualquer pessoa que for flagrada usando calças de veludo com o umbigo de fora.
Art. 6º A existência da pessoa apropriada termina com a morte, porém essa existência cessará ao se tornar inapropriada para a vida em sociedade sem necessariamente a morte física, porém social, se a pessoa por acaso:
I - falar mais gírias do que palavras em uma frase
II - ixquevê axim im muitax converxas online
III - for do sexo masculino e usar os termos: "eu juro" ou "eu prometo" ou similares em qualquer contexto
Art.7º Pode ser declarada morte presumida, justa e justificável aos que
I - fornecerem o troco de mercadorias compradas em dinheiro com balas
II - os que entrarem no carro e tirarem meleca achando que ninguém verá
III - aos que nao se comprometerem com o devido asseio ao frequentarem espaços públicos, principalmente coletivos
IV - aos que em condições de proprietário de estabelecimento de fornecedores de comida deixarem cabelos em seus produtos e demais coisas não esperadas na refeição pedida.
Art.8º Até que por outra forma se disciplinem serão considerados sem noção todos os que se enquadrarem nos itens dispostos acima.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Parodiando Jorginho
Exercício mongol de paródia só pra descontrair a terça feira....
Zuadinha
Vai ralar no emprego
Vai de motorista
Ônibus careiro
Mas tem pose de artista
Ganha pouco dinheiro
Vai pra faculdade
Sem carro maneiro
E ainda é bolsista
Final de semana
Ganha cortesia
Sem muito dinheiro
Mas com alegria
Vai pra balada
Sempre paga mico
Mesa regada
Depois racha a conta com os seus amigos
Zuadinha zuadinha zuadinha
Lava e cozinha
Zuadinha zuadinha zuadinha
Carne moída e abobrinha
Zuadinha zuadinha zuadinha
"Te pago amanhã!"
Zuadinha zuadinha zuadinha
Mas é cheia de fãs....
(Música original: Seu Jorge; Composição: Daniela, 2009 - Burguesinha)
domingo, 25 de julho de 2010
Aventuras em Sorrizópolis
Me visto sem luxo, sem glamour. Não há necessidade. Estou prestes a enfrentar uma longa jornada. Conforto e somente conforto é necessário. Talvez eu nem sobreviva, não posso pensar em moda. Com a bolsa já pronta e a postos como manda a necessidade, saio apreensiva para minha jornada. Apenas mais um dia na minha vida...
Andando nas ruas até então calmas, percebo aos poucos rugidos. Aumentam, chegam mais perto. Tenho que correr para pegar o transporte que me levará ao meu ponto alvo número 1 a tempo. A hora está certa, mas temo pela falta de sincronização. Será que não conseguirei?
No horizonte então desponta, grande e azul, com o código indicativo 38A. Era este o sinal. É este o transporte. Só entrar, mas não é tarefa tão simples.
Devido aos perigos que serão encarados pelo motorista nessa empreitada me cobram. Não vale escambo. Somente dinheiro. Vivo. Cash. Não é barato. Tento negociar, mas minhas tentativas são infrutíferas. Pago o valor e então passo por grades para me acomodar em um assento. Devo correr muito, são poucos os privilegiados que podem desfrutar de uma viagem sentados. Vejo um banco livre. Também o vê uma moça corpulenta e com muitos volumes na mão. Nos olhamos. Entendemos. Tenho que ser rápida. Transformo sua força em fraqueza, me aproveitando de seu tamanho e corro o mais rápido que posso para me acomodar. Sento-me e agradeço ao Senhor, por essa benção na viagem.
A jornada segue monótona. As pessoas não se falam, não se cumprimentam. O desgosto e o sono imperam no ar. E cada vaz mais e mais pessoas entram. Nenhum pode ficar para trás. Chega de repente o ponto final. É aqui que devo descer, mas é aqui que todos descerão também.
Depois de conquistar vales e montanhas é chegada a hora de desbravar os mares. Ao longe ouço o som da minha embarcação. Será que chegarei a tempo? Depois de tão exaustiva viagem não posso fracasar. Não. Não agora. Me apresso, mas dessa vez fui vencida pela moça corpulenta. Seu tamanho obstruiu completamente minha passagem. Me acalmo e com paciência vou andando atrás dela rumo ao meu destino. Corro. Atravesso pistas onde veículos desgovernados se movem em alta velocidade. Arrisco minha vida, mas é preciso.
Com o coração ainda batendo forte no peito, o suor que me escorre pela tez, descanso um pouco na área de embarque. Descanso fugaz. Logo se ouve o apito, abrem-se as cancelas, e feito gado, uma massa de flagelados correm para a barca. Soa mais um apito, tal qual um berrante para os rés. Colocando ordem, e imprimindo uma urgência em seu chamado. Mas dessa vez uma massa de pessoas fica para trás. Olhando desejantes a barca que se vai. Agora só daqui a 20minutos. Olho triunfante para os que ficam.
Dentre pisadas e empurrões consegui um lugar sentada. Um senhor olha furtivamente para meu lugar. Sei que estou numa poltrona de código laranja. Mas essa é a lei da selva. Finjo dormir. Mas que droga! Minha consciência me acorda e cedo meu lugar ao senhor. Meu lugar, meu querido lugar, refúgio momentâneo de uma jornada suada. Mas ajo de maneira nobre. Aproveitando-me de minha nova situação bípede me aproximo das portas de saída.
A barca atraca, ouve-se mais uma vez o berrante, e sai a manada. É melhor correr para não ser pisoteada na debandada. Não posso ajudar o senhor. Coitado, acho que não sobreviverá à tal fúria coletiva. Mas não posso me deixar distrair de meu objetivo. Chego em uma praça. E com a rapidez de uma gazela procuro o abrigo subterrâneo, pelo qual passará um novo meio de transporte para me levar ao ponto alvo número 2, o destino final. Olho ansiosa os veículos que passam, não posso perder de vista o que possui o código chave para o meu destino. O subterrâneo se enche cada vez mais. Mais e mais pessoas perdidas procurando pelos seus veículos e seus códigos. De pronto, vem despontando no fim do túnel um veículo. Será? Não enchergo direito os numeros. 455. É este! Vejo o alvoroço se formando em minha volta. Muitos almejam o mesmo destino. Porém só tem apenas um veículo. E não restam muitas vagas.
Começo um processo de cercamento. Mas não sou a única. Aos poucos se forma um paredão de isolamento, onde uns empurram os outros. Corro o mais rápido que posso em direção à porta do veículo, mas dessa vez não tive sorte. A porta parou longe de mim. Me amontuo e me misturo aos demais. A mulher corpulenta mais uma vez se aproxima, mas já não me preocupo, sei que na velocidade ganharei como das outras vezes. Ela não é páreo. Mas não posso me distrair de meus objetivos com competições egoístas, apesar dela me despertar uma raiva sem sentido. Aglomeração. A essa altura algumas pessoas já não cheiram tão bem, mas não posso me deixar ser vencida por odores fétidos. Logo eu, poderosa desbravadora de mares e montanhas. Já cheguei muito longe. Infelizmente não consigo um lugar sentada. Vou em pé. Uma alma solidária se oferece para carregar minha pesada bolsa. Um sorriso em meus lábios. Talvez a humanidade não esteja perdida. Só talvez. A viagem segue. Sempre monótona como as outras. Ao longe o choro de uma criança. Pobre coitada... No colo de sua mãe no calor, sem direito a se sentar. As crianças pequenas não podem se dar ao luxo de se sentar nesses veículos, e as que o fizeram nunca mais foram vistas, assim dizem os boatos, portanto ninguém se arrisca.
Mesmo em pé, sinto meus olhos se fecharem vagarosamente devido ao cansaço. Me encontro num estado surpreendente de relaxamento em meio a meus pares sofredores. Então desperto com um sobressalto. Coração batendo forte e piscando rápido para enxergar a fonte do vozeirão que se desculpa por incomodar o silêncio de nossa viagem, mas que vem trazendo ali a diversão de nossa viagem e a alegria para as crianças. Em meio a milhares de guloseimas sortidas e coloridas ele explicita as boas características de cada uma. Não posso perder tempo com guloseimas. Estou cada vez mais perto de meu objetivo. Terminada a enconsta desta praia, só me resta passar por mais um túnel. Mas para minha supresa, não é tão fácil assim.
Muitos outros veículos estão querendo passar por este túnel e me vejo apreensiva pela minha saída. Uma moça de cabelo engraçado pixaim molhado vermelho se apressa para a porta. Me pergunto quantos segundos de sua viagem ela ganhou por deixar o cabelo sem esmero, e me pergunto se não deveria fazer o mesmo. Afinal, nessa empreitada o penteado é desnecessário e despercebido. O veículo para e finalmente cheguei aonde queria. Praia Vermelha. Acho que o nome é em homenagem aos que derramaram seu sangue e suor, principalmente suor, nessa jornada. Agora só tenho que me preocupar com a volta.... Mas essa ficará para outro relato dessa nova empreitada, que chamarei "De volta a Terra do Nunca".
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
É culpa da Cinderella
Vi uma foto minha. E como sempre o olhar não se detêm a um simples estímulo respota e vi e pronto. O olhar me traz o enxergar, o ver, o perceber. Aí já viu....
Comecei a pensar então sobre contos de fadas, príncipes e princesas. (Não, não vou explicar a relação da foto com esse pensamento, mas tem tudo a ver). E meio a uma certa melancolia, voltei ao presente me questionando sobre esse tal de felizes para sempre, e mais mil outras coisas nessas histórias infantis.
Decidi começar pelo príncipe. Sujeitinho esquisito esse. A maioria deles usa calças colantes, bota e capinha, isso hoje em dia não se chama príncipe não. E na maioria das vezes sabem o que fazer e sempre aparecem na hora certa... Como eles sabem dessas coisas? E não quero nem comentar que TODOS eles cantam e dançam. Cantar estilo Eddie Vedder é sexy, dançar tipo Justin é sexy, mas cantar e dançar de calças colantes, não... não é legal.
Além da revolta com a figura do príncipe, a que me deixou ainda mais irritada foi a figura da princesa. Ô bicha besta. Ou só sabe lavar-passar-cozinhar e não da nem um forazinho nas irmãs chatas, ou desmaia na hora H em que o esquisitão lá sabe muito bem o que fazer, como fazer e onde estar. Timming perfeito, não?
E desde criança eu assisto essas coisas, e ainda por cima: gosto. A maioria das meninas que hoje são mulheres também gostavam dessas histórias. E me veio o insight: se hoje em dia as mulheres estão insatisfeitas com os relacionamentos da vida real, a culpa é todinha da Cinderella, ou qualquer outra lá com sangue de barata.
Ok, a culpa toda não. Uns 50%, porque os outros 50% dessa culpa aí, elas dividem com o infeliz do narrador. Quando ele fala com aquela voz de magia: "... e viveram felizes para sempre." Que ódio! Até parece! Como assim? Já começa pela própria frase que em si ofende as leis da natureza: "viveram" e "para sempre"... É Branca de Neve ou Highlander, cacete? E como alguém vive feliz sempre? Duvido que a Cinderella não sente falta de lavar um chãozinho às vezes e nem chora com saudade dos ratinhos.
Eu acho é mesmo que o narrador nos faz um bem. Pra não falar das complicações da vida do casal manda um: ah felizes! Sei... Feliz até a Ariel descobrir que mulher que não é peixe tem TPM, e coitado do príncipe dela, que tinha uma sereia do lado, agora tem no mínimo o ser mais perigoso do alto mar e da terra também.
E comecei a pensar nesse negócio de felizes. Mas porque isso? Porque eu tenho que ser feliz pra sempre? As vezes ser ranzinza é tão bom! E ficar P da vida então? Mandar aquele palavrão de efeito pra pessoa perfeita na hora certa? Nossa! É libertador! É de uma ranzinzice tão grande que me faz até sorrir! Ah se eu fosse a Cinderella! Eu que preparo as comidas, no mínimo um laxante no café já teria rolado. Na verdade acho que essa bondade toda e essa felicidade toda me incomoda!
E eu que me considero bem humorada! É que simplesmente isso não faz sentido. Eu só vou ser feliz se eu sei o que é sofrer, só vou saber levantar se eu já tiver caído algum dia. Então porque as pessoas não falam da infelicidade e nem das quedas, já que são elas que nos permitem ser felizes no final das contas? Porque o narrador lá não fala das brigas de casal, das discussões de relações e do "precisamos conversar"? Tudo bem, o nome já diz: Contos de Fadas. É pra ser light mesmo, né? Não ia ser bonito ver a Cinderella dar com o esfregão na cara do príncipe, nem a Bela Adormecida fingindo que está dormindo pra não... enfim....
Mas o que me espanta então na realidade é o porque então que muitas vezes adotamos essa narrativa para nossas vidas... Eu quero um felizes! Óbvio! E quem não quer? Mas não quero um felizes para sempre não. Quero um felizes as vezes. Quero brigas, para poder pensar em meios de reconciliação. Quero desentendimentos, para entrar cada vez mais em sintonia com quem eu amo, quero ciúmes, para não esquecer do desejo que sinto e que sentem por mim, acompanhados do medo de perder, próprio de quem ama, e assim me lembrar do amor que ainda existe. Quero ficar longe, para sentir saudades e valorizar pequenas coisas que a presença do cotidiano subestima. Quero decepções que me lembrem que ninguém é perfeito e que o amor se fortalece nisso: em amar os defeitos. Quero também enjoar um pouco da pessoa, para me lembrar que apesar do companheirismo eu ainda sou eu e posso ser eu livremente. É, acho que o narrador foi muito mais esperto mandando um : felizes para sempre. Simplifica muita coisa, e cá entre nós... os narradores são sempre homens. Nenhum discrédito aqui aos moços: que fique claro que felizes ou não, princesas só existem com príncipes... ou sapos.
domingo, 10 de janeiro de 2010
Epitáfio
A vida é arriscar, é um risco a cada momento...
Pegue um revólver, coloque uma bala, gire o tambor. Puxe o gatilho. Grande decisão. Pode ser pensada, repentina, por impulso. Tanto faz o que o levou a puxar o gatilho, mas se tem que apertar não é mesmo? É assim que se brinca de viver e não tem como fugir.
Um clique, sem tiro, ainda há vida. Isso, ainda há vida.
E na tensão de uma decisão a outra, de uma encruzilhada a outra, ainda sim, há vida.
Devemos enxergar além. Entre o puxar de gatilhos, ainda respiramos. Não. Não é pessimismo. Quero celebrar a vida. Celebrar o fato de que existem mil batidas de coração entre cada puxada de gatilho que a vida nos dá. Quero ouvir cada batida atentamente e entender o que elas me dizem. Quero ouvir as batidas do coração de quem também está brincando de viver, e poder segurar a mão daqueles que amo. Poder sintonizar minhas batidas com as deles. E a cada momento que meu coração acelerar, saber que tem um coração que bate devagar para acalmar o meu. E vice versa.
Um dia porém a bala sai. Vontade divina, sorte, azar, destino, pouco importa. Morrer também não significa morte. A morte não brinca de roleta não. Morrer de rir, morrer de chorar, chorar de rir. Sofrer tanto que que da vontade de morrer, amar tanto e sentir que o coração não vai aguentar, dançar tanto e poder falar: dancei até morrer, experimentar a melhor comida do mundo e dizer que: quero comer ate morrrer, testemunhar algo grandioso e dizer: agora eu poderia morrer em paz...
Pequenas perdas, e grandes ganhos. Para cada pequena morte nossa, mil possibilidades de vida. Saber perder um amor, saber esperar por algo melhor. Saber brigar, mas também saber pedir perdão. Saber falar, mas sem perder a humildade. Comprar brigas que valham a pena. Sair de brigas que não sejam pelo crescimento e sim por orgulho. Saber viver. Saber puxar o gatilho com o peito aberto, preparado ou não para o desconhecido, mas com a fé e a autoestima de quem confia em si.
Desculpem a comparação. Mas minha vida não é parque de diversões com algodão doce. Nem uma atração: "para o mundo que eu quero descer...." Acho que, aliás, a de ninguém. Mas não quero nem saber. Estamos vivos, e pouco importa se na hora de puxar o gatilho se a bala vai sair ou não. Quero celebrar cada momento e comemorar a vida que existe.