domingo, 10 de janeiro de 2010

Epitáfio

Roda gigante? Montanha russa? Comparações meio clichê sobre a vida... A vida não é nenhum parque de diversões não. Basta estar vivo para saber disso. Eu dirira roleta russa.
A vida é arriscar, é um risco a cada momento...
Pegue um revólver, coloque uma bala, gire o tambor. Puxe o gatilho. Grande decisão. Pode ser pensada, repentina, por impulso. Tanto faz o que o levou a puxar o gatilho, mas se tem que apertar não é mesmo? É assim que se brinca de viver e não tem como fugir.
Um clique, sem tiro, ainda há vida. Isso, ainda há vida.
E na tensão de uma decisão a outra, de uma encruzilhada a outra, ainda sim, há vida.
Devemos enxergar além. Entre o puxar de gatilhos, ainda respiramos. Não. Não é pessimismo. Quero celebrar a vida. Celebrar o fato de que existem mil batidas de coração entre cada puxada de gatilho que a vida nos dá. Quero ouvir cada batida atentamente e entender o que elas me dizem. Quero ouvir as batidas do coração de quem também está brincando de viver, e poder segurar a mão daqueles que amo. Poder sintonizar minhas batidas com as deles. E a cada momento que meu coração acelerar, saber que tem um coração que bate devagar para acalmar o meu. E vice versa.
Um dia porém a bala sai. Vontade divina, sorte, azar, destino, pouco importa. Morrer também não significa morte. A morte não brinca de roleta não. Morrer de rir, morrer de chorar, chorar de rir. Sofrer tanto que que da vontade de morrer, amar tanto e sentir que o coração não vai aguentar, dançar tanto e poder falar: dancei até morrer, experimentar a melhor comida do mundo e dizer que: quero comer ate morrrer, testemunhar algo grandioso e dizer: agora eu poderia morrer em paz...
Pequenas perdas, e grandes ganhos. Para cada pequena morte nossa, mil possibilidades de vida. Saber perder um amor, saber esperar por algo melhor. Saber brigar, mas também saber pedir perdão. Saber falar, mas sem perder a humildade. Comprar brigas que valham a pena. Sair de brigas que não sejam pelo crescimento e sim por orgulho. Saber viver. Saber puxar o gatilho com o peito aberto, preparado ou não para o desconhecido, mas com a fé e a autoestima de quem confia em si.
Desculpem a comparação. Mas minha vida não é parque de diversões com algodão doce. Nem uma atração: "para o mundo que eu quero descer...." Acho que, aliás, a de ninguém. Mas não quero nem saber. Estamos vivos, e pouco importa se na hora de puxar o gatilho se a bala vai sair ou não. Quero celebrar cada momento e comemorar a vida que existe.