domingo, 19 de julho de 2009

Colorindo pensamentos...

Frio. Muito frio mesmo. Nessas horas a gente pensa: ai, que saudades do verão! Bom, pelo menos eu acabei de pensar nisso. E bem, alguns pensamentos, para ser franca a maioria, não passam assim tão desapercebidos e nem tampouco são interpretados como "comuns". Como assim? Então não é coisa comum sentir falta do verão? Sim, claro. Mas sabe o que não me parece tão normal? No verão sentir aquele calor bem Rio de Janeiro 40 graus e falar: como eu queria que chegasse o inverno... Bom, pelo menos pra mim é assim... Mas o que é isso então? Não sei o que quero? Lógico que sei... Se o calor me incomoda quero frio, se o frio me incomoda quero calor, fácil saber o que se quer. O que me espanta é o comportamento, esse não contentamento, essa coisa de relatividade. Algum mal em ser indeciso então? Lógico que não, antes ser indeciso do que obstinado, antes uma metamorfose ambulante... Algum mal na relatividade? Depende... O que quero dizer então? Como as coisas mudam, em função do que vivemos, do que sentimos. Como experiências - passadas ou presentes - mudam em função do momento, do estado de espírito em que se as (re)vive. Meio óbvio? Sim, também achei. O que me pegou de surpresa então foi o caos que as lembranças e experiências podem ser. Boas, ruins, sempre mudando, dependendo do óculos que colocamos no momento que as (re)vemos.

Ai vai uma de minhas visões, com os óculos de meus 23 anos, inverno, madrugada e minha cota de decepções um pouco mais em voga do que as de alegrias, dando um aspecto meio cinza ao meu tipo de raciocínio... Agimos, nos comportando, nos baseando em nossas experiências passadas, nos resultados, de olho nas coisas boas, ruins, sem sentido, avaliando, perquirindo... "Como eu fui tolo, como fui idiota, se pudesse mudaria..." Justamente mais tarde pensamos, "Nossa, mas como valeu a pena, não mudaria nada. Momentos ruins me fizeram ser o que sou?" Sim, coisa de Proust.

Deixando a filosofia de lado... mas me peguei quase de óculos escuros. Enlouquecendo mais um pouco. Pensando em como tendemos a agir como se pudéssemos nos distanciar de nossa condição presente, da visceralidade com que pensamos nas coisas, corpo e mente não são assim tão separados. Parece então que o passado é absoluto e nós apenas observadores a distância aprendendo com os erros a projetar nosso futuro. Ser e estar num corpo, ser humano prega peças. Medir ações. Sempre me disseram isso. Meça suas atitudes. E tem fita métrica pra isso? Procedimentos? Variáveis? Não é assim tão simples... Não entrando aqui em uma postura revolucionária helenista anarquista... longe disso... não é bem por ai que levei esse pensamento. Foi num sentido mais inocente, uma simples desconstrução de algo pintado com as cores tom pastéis do bom senso. Agimos como se fôssemos viver pra sempre, de acordo com um certo bege das boas maneiras. Não falo que sou contra as leis não! Alto lá! Limite e ordem não fazem mal a ninguém! Sabemos muito bem onde fica cada cor das sete que existem no arco íris. O caos confunde, ainda mais à nós, seres já altamente caóticos. Falo das coisas mais raras. Das sutilezas, das nuances que passsam desapercebidas no arco íris por nos prendermos as tais sete cores. Pensamentos comuns de se ouvir por aí, e que seguimos. Eu sigo. Faço parte sim dessa gente furtacor. Pegando como exemplo o caótico mundo dos solteiros... rs... sim... exemplo bobo, sem graça e amarelo, porém efetivo. Coisa mais comum de se escutar: "Não corra atrás", "Não dê mole.", "Dá um gelo em fulaninho(a)"... e por ai vai. Amigos solteiros, sintam-se livres em acrescentar mais exemplos, podem até usar os de suas experiências...

Fazemos isso pensando no agora, nessas regrinhas, na tendência, e dá certo, pode ter certeza, simples como preto no branco. Porém, quando o disco de Newton, coisa boba de só algumas corezinhas, começa a girar é que a porca torce o rabo... rs... Mas e se minha vontade agora fosse gritar bem alto pra todo mundo ouvir o quanto amo uma pessoa? E se minha vontade fosse me jogar e me fazer de boba na frente de alguém só pra mostrar o quanto gosto dela? Rejeição? Sim, acontece e muito, mas não é assim que a gente vive? Já nascemos sendo contrariados pelo tempo que é curto demais em relação a tamanha vontade de viver. E vai que um dia num acesso desses de espontaneidade, extrema vergonha e embaraço e em meio a uma dessas dores que a gente nem sabe onde dói, nos pegamos pensando: nossa como valeu a pena! Com um riso meio dolorido, cor de burro quando foge, dando um brecha de luz para que surjam novas cores.

Quem sabe assim as coisas passam a fazer mais sentido. Do cinza do óculos do raciocínio de até então, começa a surgir um leve degradê. Cores, que timidamente surgem. Se gostamos de alguém falamos, se queremos estar perto de alguém nos chegamos, se não quisermos poderíamos falar e não enganar. Autenticidade, transparência. Aproveitadores? Sim, terão aos montes, até nas escalas mais sortidas de cores temos os nossos básicos e simples pretos e brancos, bandidos e mocinhos. Mas esses já existem mesmo em nossos momentos de maior astúcia e frequentemente nos vemos caindo mesmo com os passos mais ensaiados. Até mesmo porque o branco não se faz tão simples assim. Põe lá o disquinho pra girar de novo que você vai entender. Se for pra cair, que seja uma queda autêntica. Se for para amar que seja por inteiro, com direito àquele carão vermelho de bobo. Se for pra odiar que possamos nos permitir essa onda de raiva de forma verdadeira, em vez de escondê-la sob uma máscara - na verdade bem transparente - de indiferença, fica até meio feio... rs... As aparências acabam, as coisas mudam, se reinventam. Viver como se fossêmos morrer. E iremos. Pensando assim a vida não deveria ser difícil. Pensar que viveremos pra sempre e que auto estima é a coisa mais importante do mundo é que embola. Auto estima sim. Amar o próximo como a si mesmo, legal, e não se defender numa fortaleza chamada eu. Auto estima é bem diferente das muralhas de um castelo. O que vemos então são guerras entre castelos bem guarnecidos. Algumas das batalhas mais sangrentas ocorrem entre entre eus. Acho que sem tantos castelos, talvez nos preocuparíamos menos com os cavalos de tróia. Afinal, limites não impedem invasões e o mundo é formado por mais cores do que as que podemos ver ou imaginar.
Felizes para sempre então? Mundo cor de rosa? Lógico que não. Sou a favor de uma paleta infinita. Do rosa claro ao rosa choque, do verde musgo ao verde esperança; e da naturalidade e da capacidade de podermos ser camaleões, e de usar os óculos que bem quisermos. Que sejam, até mesmo os beges.
Isso só porque senti frio. Aposto que se fosse verão o texto seria inteiramente diferente...